terça-feira, 12 de maio de 2009

Painéis solares: Governo «ignora entidades de certificação»

Portugal tem a segunda maior das cinco entidades certificadoras de sistemas solares da União Europeia, depois do alemão, mas o centro em causa "nunca foi contactado" por nenhum responsável governamental no âmbito de medidas para o sector, nomeadamente na definição das campanhas de apoio aos colectores solares térmicos, denuncia o jornal Público.
A denúncia parte do director-geral da Certif, Francisco Barroca, que considera desadequados os critérios decisivos de acesso das empresas à campanha governamental dos painéis solares térmicos. Em vez de económicos, argumentou, esses critérios deviam ser técnicos e com uma preocupação prévia de certificação, que "não existiu".
"Isto não foi conduzido de forma profissional", disse o responsável em declarações ao jornal. Em causa, está um processo que começou com a agitação das empresas perante o alegado favorecimento do concurso a algumas entidades, prosseguiu com o Governo a ter de rever os critérios iniciais e com a abertura da campanha com apenas uma empresa a ter produto certificado.
Ainda assim, a solução de critérios económicos mais flexíveis e menos ambiciosos, como o da capacidade de produção, é insatisfatória. Para Francisco Barroca, "teria sido adequado fixar um valor mínimo para o rendimento dos equipamentos", reflectindo a eficiência dos mesmos e comprovada através de certificação. Disse ter sido este o caminho das campanhas lançadas na Alemanha e na Áustria, que impuseram mínimos. "Essa é que era uma medida correcta. Melhoraria o desempenho dos equipamentos que são financiados."
"Seria uma medida a favor das empresas portuguesas e não contra elas. Qualquer país deve apoiar as suas empresas, sobretudo as que se preocupam com a sua qualidade", defendeu.

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